O écran cheio do azul dos olhos para ela. Aquele azul que foi de mar e deixou de ser de mar, que foi de água e deixou de ser de água. Na praça da República, naquela noite, pela última vez lhe vira o azul dos olhos, embora fosse de noite os candeeiros amarelos da praça iluminavam-lhe os olhos, já o azul desbotara, mas continuava a ser um azul só possível de encontrar nos azuis dum catálogo de azuis invulgares. Por isso arrepiou-se quando na televisão, a que subiu o som, diziam que apanharam o monstro. Era ele! Lá estava o fato no fio e a maneira invulgar como caminhava.
O rapaz que lia Rimbaud, Manuel António Araújo, Lugar de Palavra, 2012
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